Deixar que feito lâmina
Da face a lágrima faça
O reflexo da lembrança
É sempre o oposto que se impõe
E as verdades vêm abrindo caminho
Como a frieza brusca do metal
Mas vale a pena tanto assim rebuscar o pensamento??
É que não há nada que exponha mais a verdadeira dor
Do que o lodo grosso e negro das entrelinhas
Nada pode, além de uma linha não escrita
Uma palavra não colocada
Ser mais preciso e claro
Já que dizer é tão pouco ante o olhar alheio
A linguagem polissêmica do peito
Melhor é queimar
Fazer do pulmão cinzas
Como a fumaça levasse a crueza embora
Talvez seja por isso que distorço e quebro as cordas da guitarra
E por isso que do violão melhor me soam as dissonantes
É que nos cantos das unhas se alojam as minhas incertezas e frustrações
O álcool distorce a visão
Nada é por acaso
Então nos meus ouvidos ecoam as mais estúpidas batidas de um computador
E eu me lembro dos acordes nunca tocados
Com a nostalgia de um exilado
Exilado de mim mesmo
Negado por minha própria cria
Criado pelos meus erros
Purgado jamais
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
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Um comentário:
Oie Zé
o poema é de sua autoria?
Vou colocar seu blog na listinha de favoritos que tem no meu... =P
Bjos
Analy
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