quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Soalheira

O primeiro poema que me rendeu alguns trocados:

Soalheira

Este suor que escorre salgado
Não é menos digno que a palavra
Que a labuta o braço a faca
Quiseram tanto e tanto faz

É a labuta que neles se faz
Que endurece a pele e cria calos
A alvorada que espera os braços
As pernas os facões

Este suor que escorre salgado
Não é menos digno que o nó bem dado
Que o terceiro botão aberto
Do paletó

Nem é mais digno o pé amarrado sob o couro negro
Que reflete uma face negra que se ajoelha para melhor torná-lo
O que reflete outras faces negras

Não é menos digno este suor salgado
Que escorre
Que a água de cheiro o banho a bucha

Pinga pinga pinga pinga...
O chão engole o sal
Pinga pinga pinga na soalheira
A roça o ruço a roxa
Enxada a mão que incha

Esta palavra que fala
Não é mais digna que o suor que escorre
É igual
Porque tem corpo dor e sua
E também tem sabor de sal

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